Uma Investigação Astrológica e Psíquica no Caso Lizzie Borden, EUA, Netflix.

Uma Investigação Astrológica e Psíquica no Caso Lizzie Borden, EUA, Netflix. **Por Nando Guimarães**
Fui surpreendido recentemente ao me deparar com a nova série da Netflix retratando o infame crime de Lizzie Borden. Para quem não se recorda do caso, ela foi a principal suspeita de ter assassinado o pai e a madrasta a golpes de machado, em plena luz do dia, no verão de 1892, na cidade de Fall River, Massachusetts. Quando vi aquela história na tela, uma torrente de memórias me assaltou — afinal, minha ligação com essa tragédia vai muito além de uma simples curiosidade sobre crimes reais. Mudei-me para os Estados Unidos e morei em Boston durante 11 anos. Naquela época, eu frequentava Fall River com bastante assiduidade para visitar uma família amiga. O detalhe impressionante era o local onde o ônibus nos deixava: a antiga rodoviária da cidade ficava exatamente em frente à icônica e sombria casa verde dos Borden, no número 230 da Second Street.
Eu nunca cheguei a fazer o tour interno da casa, mas a proximidade era inevitável. Em uma das vezes, levado por uma curiosidade quase magnética, fui até a entrada e toquei na maçaneta da porta. Sou astrólogo e possuo uma sensibilidade psíquica muito aflorada — fruto de configurações marcantes na Casa 12 do meu próprio mapa natal. Ao encostar naquela porta, uma onda gelada e densa atravessou meu corpo. Senti a impregnação de uma energia familiar terrivelmente pesada, sufocante, carregada de segredos e angústias reprimidas. Tive, ali mesmo, a convicção íntima de que havia algo muito mais complexo e trágico naquela história do que um simples ato de ganância ou crueldade calculada. Naquele mesmo período, eu trabalhava em uma clínica de atendimento a dependentes químicos em Boston, fazendo triagem e levantamento do histórico de vida dos pacientes. A maioria era de moradores de rua sem condições financeiras, recebendo tratamento gratuito. Ao escutar dezenas de histórias de vida, um padrão doloroso se repetia: quase todos haviam começado no abuso de drogas ou álcool em decorrência de graves violências domésticas e traumas profundos sofridos na infância — muitos deles envolvendo abusos sexuais cometidos pela figura paterna, frequentemente com a omissão ou "cegueira" da mãe ou madrasta. Anos mais tarde, assisti a um programa de investigação paranormal — o *Investigação Paranormal*, com George Coêlho — no qual pesquisadores utilizaram equipamentos eletrônicos dentro da residência dos Borden. Para minha surpresa, o investigador relatou uma captação telepática e intuitiva que espelhava exatamente a sensação que tive anos antes na porta da casa: a forte probabilidade de que Lizzie tenha agido sob um estado de transe dissociativo ou sonambúlico, levada ao colapso psíquico por anos de abusos velados e uma rotina de violência silenciosa dentro do lar.
## O Céu do Crime: O Mapa Natal de Lizzie Borden Quando olhamos para a carta astrológica de Lizzie Borden — nascida em 19 de julho de 1860, às 9h46 da manhã em Fall River (com dados preservados na obra de Lois Rodden) —, os indicadores astrológicos revelam com clareza essa panela de pressão emocional. Lizzie nasceu com o **Sol a 27° de Câncer** em conjunção com **Vênus na Casa 10**, projetando para o mundo a imagem de uma mulher canceriana, ligada à família, tradicional e reservada. Porém, esse Sol e essa Vênus faziam uma **oposição exata a Marte em Capricórnio na Casa 4** (o setor da casa, do pai e das raízes). Na astrologia moderna, Marte na Casa 4 em signo de terra rígido como Capricórnio retrata um ambiente doméstico estruturado sobre o rigor excessivo, a frieza, o autoritarismo e a supressão da individualidade. A oposição aos planetas em Câncer indica um conflito explosivo entre o desejo de acolhimento e a presença de uma violência reprimida sob o teto familiar. Para agravar esse quadro, temos **Plutão a 9° de Touro na Casa 8** (a casa dos processos de morte, tabus, segredos e abusos de poder), formando uma quadratura tensa com a **Lua e Júpiter em Leão na Casa 11**. A Casa 8 ocupada por Plutão fala de dinâmicas subterrâneas e traumáticas, onde o indivíduo se sente refém de forças coercitivas ou abusivas que não pode controlar abertamente. Outro ponto fascinante é **Netuno no último grau de Peixes**, fazendo oposição ao seu **Ascendente a 25° de Virgem**. Netuno no Ascendente ou em oposição direta favorece uma porosidade psíquica extrema, predisposição a estados alterados de consciência, névoas mentais, sonambulismo e episódios dissociativos — momentos em que a personalidade consciente simplesmente se apaga sob o peso de um estresse insustentável
## A Memória Akáshica e o Retorno dos Mitos Como ensinava Carl Jung na psicologia analítica, o mapa astrológico de uma pessoa não "morre" com o seu corpo físico; ele continua pulsando como uma matriz simbólica na psique coletiva. O fato de o caso Lizzie Borden ser constantemente revisitado pela cultura pop, por séries de streaming e por investigações paranormais demonstra como os trânsitos contemporâneos continuam reativando o seu mapa natal Tudo o que vivemos e sentimos deixa um registro registrado naquilo que os antigos chamavam de memórias ou vibrações akáshicas — uma marca energética impregnada nas paredes e no espaço físico de locais marcados por grandes tragédias. Ao tocar aquela porta em Fall River, não li apenas a história nos livros de criminologia; conectei-me diretamente à memória viva de um drama familiar onde a dor, a repressão e o desespero se traduziram em um dos maiores mistérios da história. E a astrologia, longe de querer justificar o injustificável, nos oferece as chaves para compreender as sombras mais profundas da natureza humana.
nando guimarães astrokabana, sp, 24 dezembro 2025 e-mail = zody2k@aol.com istagram = @nandoastrokabana youtube = canal astrokabana facebook: guimarães Fernando

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